24 de abril de 2009

Arouca já é património geológico da Humanidade

Arouca é reconhecida oficialmente pelo seu excepcional Património Geológico com relevância a nível internacional e agora é oficial a integração do seu Geoparque como membro da Rede Europeia de Geoparques, sob a tutela da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

A decisão foi hoje, Dia da Terra, dada a conhecer em conferência de Imprensa, com a presença do presidente da Associação do Geoparque Arouca (AGA), Campelo de Sousa, do coordenador executivo, António Duarte, e do coordenador científico do projecto, Artur Sá, bem como do presidente da câmara municipal.

O concelho arouquense acolhe uma série de espécimes de natureza única como as designadas «Pedras Parideiras da Castanheira» ou as «Trilobites gigantes de Canelas».

O local foi inaugurado a 5 de Dezembro de 2007 e envolve uma área de 327 quilómetros quadrados, que abrange 41 geo-sítios – termo técnico para os “locais com interesse geológico” – que, como António Duarte explicou ao «Ciência Hoje», “foram inventariados e servirão de base à rede pelo seu carácter científico, raridade a nível planetária, encanto estético, valor educacional ou turístico”.

As raras «Pedras Parideiras» da Castanheira

O coordenador executivo ressalva ainda que “o território administrativo é classificado ao abrigo de compromissos internacionais” por albergar fenómenos de “características excepcionais”, de onde se salientam as pistas fósseis, por exemplo.

Geo-sítios

Dos geo-sítios inventariados, António Duarte não se escusa de destacar os mais emblemáticos, assim como as particularidades mais representativas dos locais. Uma cascata com mais de 75 metros de altura, de onde cai o rio em queda livre, na Frecha da Mizarela e uma escarpa singular conferem elevado interesse geomorfológico ao parque de Arouca.

No entanto, rochas graníticas raras no mundo e únicas na Europa, também não poderão ser alvo de displicência. As «Pedras Parideiras» – geologicamente conhecidas por Granito nodular da Castanheira, nome que vem no seguimento da proximidade com a aldeia da Castanheira e pela textura nodular do mineral – foram transformadas há três milhões de anos e encontram-se sempre emparelhadas em rocha mãe e filha, que se vão soltando com a erosão dos tempos.

Cascata de 75 metros na Frecha da Mizarela

Outra ocorrência geológica apontada pelo coordenador são as Trilobites – fósseis de um ser marinho que viveu no fundo do mar há 465 milhões de anos. Estas, segundo Daniela Rocha, geóloga da AGA, possuem a um tamanho destacável. “As Trilobites gigantes de Canelas são muito valiosas por serem as maiores do mundo”, enfatiza.

A geóloga refere ainda uma panóplia de outros fósseis de menor relevo, uma colecção recolhida ao longo da extracção de ardósia. Mas, também de grande interesse, neste território de excepção, são os «Icnofósseis» do vale do Paiva e igualmente chamadas de “pegadas” de Trilobites, que resistem há 480 milhões de anos. ”Estes são vestígios de por onde andaram os seres”, diz Daniela Rocha.

Já de interesse mais turístico são as «Pedras Boroas», pelo seu aspecto visual – “uma geoforma granítica semelhante a um boroa ou broa [pão de milho]”, descreve a geóloga.

Desenvolvimento sustentável

O reconhecimento do Geoparque confere-lhe não apenas distinção, mas também mais responsabilidade. Na base de implementação de estratégias de desenvolvimento sustentável estão acções de geo-conservação, revitalização de zonas e centros de investigação e interpretação geológica, como princípio agregador das sinergias da região.

As «Pedras Boroas» de geoforma singular

Existe um projecto em fase embrionária para a recuperação das antigas minas de volfrâmio – Couto de Regoufe e o do Rio de Frades. Os filões mineralizados são particularmente abundantes na região de Arouca, especialmente na área da Mina da Pena Amarela, recentemente revitalizada e que inclui um percurso pedestre.

António Duarte acrescentou ainda que estratégias de desenvolvimento territorial prevêem acções de sensibilização junto da população em geral e para turistas. "Serão lançados programas educativos com a possibilidade de visitas organizadas para escolas. A vertente turística, contemplada na Bolsa de Turismo de Lisboa, reunirá eventos gastronómicos, culturais e etnográficos, com rotas temáticas", conclui.

O actual Centro de Interpretação Geológica mudará de nome para «Casa das Pedras Parideiras» após uma antiga habitação abandonada, construída com essas rochas, ser requalificada.

A arrancar num futuro próximo encontram-se o Centro de Interpretação dos Viveiros da Granja, dedicado à botânica e um Centro de Investigação, em parceria com a Universidade de Aveiro e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

O Geoparque de Arouca é o segundo projecto do género em Portugal, a seguir ao Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, que também integra a rede da UNESCO, desde Julho de 2006.

1 comentário:

arouca.biz disse...

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